Daisyane Mendes – CEPRVALI
Custodiadas da Penitenciária Feminina II de Tremembé puderam conhecer, recentemente, uma nova modalidade artística. O estabelecimento penal recebeu uma apresentação de um “teatro em miniatura”, ou, como também é chamado, o “teatro lambe-lambe”. Um total de 50 privadas de liberdade participaram da atividade, individualmente.
O teatro lambe-lambe consiste em uma caixa cênica itinerante, que funciona como um pequeno palco para espetáculos com bonecos. As peças são de curta duração e são assistidas por uma única pessoa em cada sessão.
Na ocasião, as reeducandas assistiram à peça “Antonina, little star”, criada pela atriz Júlia de Campos Moura, da Cia Dela Só. Desde 2016, a obra circula de forma independente por todas as regiões do Brasil e, em 2019, estreou internacionalmente na América Latina. A apresentação de apenas três minutos é inspirada na vida da avó de Júlia, contando a história de uma costureira e ex-cantora de rádio que resgata seus sonhos após ganhar na loteria.
O teatro lambe-lambe é genuinamente brasileiro e possui um formato diferente do convencional. Nele, o público assiste às pequenas histórias individualmente, por meio de um visor instalado em uma caixa de madeira. Em algumas peças, os espectadores também acompanham a narrativa com fones de ouvido. Dessa forma, cada pessoa vivencia a experiência de forma única.
A criadora da iniciativa explica que a ideia principal de trazer esse projeto para os presídios paulistas é fomentar o acesso das reeducandas ao direito à arte e à cultura. “Muitas vezes, a sociedade esquece que quando uma pessoa é privada de liberdade, ela perde o direito de ir e vir, mas não perde o direito à cultura, educação e lazer. Foi com esse intuito que levamos o teatro lambe-lambe para dentro do sistema prisional. Queremos que essas mulheres relembrem o prazer de assistir a um espetáculo, ter um momento de lazer, de riso, de alegria. Queremos que elas relembrem que tudo isso ainda é um direito que elas têm”, afirma Julia.