Reeducandas aprendem artesanato de grife na Penitenciária
Linha Daspre gera renda para sentenciadas com artesanato
diferenciado, lançada na Penitenciária Feminina Sant´Ana
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Bijouterias que compõem
figurino de estrelas da TV |
Uma linha diferenciada
de artesanato, de boa qualidade e criativo, produzido
pelas reeducandas do Estado de São Paulo. A grife Daspre,
lançada no último dia 25 de julho pela Secretaria de
Administração Penitenciária e Fundação "Prof. Dr. Manoel
Pedro Pimentel" – FUNAP, começou com o treinamento de uma
turma de doze presas da Penitenciária Feminina Sant´Ana (PFS),
para produção de caixas de presente decoradas. As
primeiras reeducandas do curso tiveram sua formatura no
lançamento da grife, em cerimônia realizada na própria
unidade prisional, com as presenças do Secretário de
Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, da
presidente da FUNAP, Lúcia Maria Casali, entre outras
autoridades.
Paulatinamente, as sentenciadas de outras unidades
prisionais do Estado serão treinadas na produção de vários
tipos de peças artesanais, sempre mantendo o padrão de
qualidade e criatividade que caracteriza a grife de
artesanato Daspre. Para a comercialização das peças foi
fechada parceria com a Companhia do Metropolitano de São
Paulo (Metrô), para exposição e venda em algumas das
estações no final do ano. Também será possível encontrar
as peças artesanais da Daspre na loja “Do Lado de Lá”, de
propriedade da FUNAP.
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Reeducandas de unidades
prisionais do estado produzirão peças para a grife |
O
primeiro item em produção – as caixas de presentes – têm
formatos diferenciados, com base de papel paraná (que é
mais rígido e resistente), forradas em tecido e decoradas
com rendas, fitas, miçangas e outras peças decorativas.
Este e os próximos cursos de artesanato a serem realizados
em outras unidades femininas do Estado integram o selo
“Detentos que trabalham – uma nova chance”, que engloba
tudo que é produzido nas oficinas laborais do Estado. Os
cursos duram cerca de dois meses.
Após a certificação, as detentas interessadas em continuar
se tornam aprendizes e passam a integrar as oficinas de
treinamento, durante quatro meses, durante os quais
recebem R$80 por mês. Depois desse período, são
contratadas pela FUNAP por um salário mínimo mensal. O
primeiro curso de caixas de presentes foi ministrado pela
professora Maria Helena Albernez, profissional do ramo há
12 anos. Mesmo as sentenciadas que cumprirem suas penas e
forem libertadas poderão continuar a trabalhar, através de
uma cooperativa de egressas, a Cooperativa Daspre, que
também fornecerá peças para a grife.
Experiência em atividades artesanais
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Tapetes artesanais são
destaque em revista nacional |
A escolha da PFS como plataforma de lançamento da grife
não foi por acaso: a unidade já conta com uma ampla
produção nas mais variadas técnicas artesanais. No total,
as oficinas laborais da unidade empregam 673 presas, das
quais 274 estão na produção de artesanato.
Quando perguntadas sobre os benefícios de trabalhar na
Penitenciária, as sentenciadas dão as mesmas respostas:
ocupar a mente e sair de lá com uma profissão. O dinheiro
ganho com as atividades ajuda a prover algum conforto
durante o cumprimento da pena. Elas se esforçam para
cumprir as metas e dificilmente falta ao trabalho. As
empresas parceiras são só elogios ao desempenho das
internas. Ao todo, 16 instituições contratam 399 na
unidade. Além delas, trabalham outras 624 em atividades de
apoio, como limpeza, bibliotecas, postos culturais, etc.
A direção da unidade está constantemente em busca de novos
parceiros e investe na produção do artesanato como uma
alternativa, não só laborterápica, como também de formação
profissional, geração de renda e habilitação das futuras
egressas como artesãs profissionais.
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Capacitação é dada por
reeducandas contratadas pela FUNAP |
Na oficina da empresa “Pra Festa”, por exemplo, são
embalados todos os dias, um milhão de talheres plásticos.
Nela as detentas recebem, além da remuneração por produção
(procedimento padrão nas empresas parceiras), uniforme de
trabalho (avental e proteção para cabelo) e um kit de
produtos de higiene contendo papel higiênico, absorvente,
creme hidratante, creme dental, etc., desde que não faltem
ao trabalho sem justificativa. “Dificilmente elas faltam;
só mesmo quando têm de ir ao Fórum ou ao médico”, enfatiza
a encarregada de produção da empresa, Neusa Rodrigues.
“Nesse caso não são prejudicadas, só deixam de ganhar o
dia de produção”, completa.
As peças produzidas na unidade pela empresa “Angelo
Bijouterias” já apareceram até em novelas, sendo usadas
pelas atrizes. A empresa funde as bases, feitas de níquel,
e as banha em diferentes materiais: níquel, latão – que
imita ouro velho – dourado, etc. Ao final, as bases são
polidas, colocadas em saquinhos plásticos e vendidas para
atacadistas e outras empresas que aplicam as pedrarias.
Uma de suas clientes, a “Nino Bran”, fornece as peças para
emissoras de TV. Assim as bijouterias, cuja base foi
produzida dentro da PFS, ajudam a completar os figurinos
de estrelas da televisão.
A PFS também está na Revista “Bons Fluidos” do mês de
julho. Os tapetes artesanais confeccionados em tear manual
são destaque na matéria “Um mundo a seus pés”. Sob
coordenação da empresa “Shokki Arte Têxtil”, que orienta
todo o trabalho das sete detentas que trabalham nessa
oficina, são produzidos aproximadamente 50 m² de tecido
por mês, o equivalente à área útil de um apartamento de
dois quartos. São tapetes, mantas, jogos americanos,
tecidos para almofadas e sacolas, tudo feito com matéria
prima ecologicamente correta: palha de bananeira, taboa,
sisal, algodão, seda (fibras naturais) e resíduos da
indústria têxtil – sobras de da fiação.
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Um milhão de talheres de
plástico embalados por dia |
Outra empresa que trabalha com acessórios metálicos na
unidade é a “Mix Metais”. A Mix produz peças metálicas
para confecções de roupas e bolsas e acessórios, como
chaveiros e fivelas, por exemplo. Cabe às reeducandas dar
o acabamento com pintura e colagem de strass. Só de peças
coladas, a meta diária é cinco mil unidades por detenta, o
que equivalente a 145mil por dia.
A maior parte da formação em técnicas artesanais oferecida
às internas é ministrada por 20 detentas da própria
unidade, contratadas pela Fundação FUNAP. A Fundação
também fornece todo o material: linhas de crochê,
barbantes, glitter, fitas, tintas, pincéis, panos de
prato, papel, cola, etc. “Nossa idéia é que tenhamos uma
produção suficiente para no futuro ser vendida na loja “Do
lado de lá” ou em um bazares da cidade”, explica a
diretora substituta de produção e trabalho da PFS, Maria
Aparecida Lima. “As famílias de algumas presas também
fornecem materia-prima. As reeducandas trabalham na sala
de artesanato e devolvem as peças, já montadas, que são
vendidas pelos familiares”, destaca a diretora substituta
de trabalho, Márcia Cataldo.
As técnicas artesanais são as mais variadas: reciclagem
com garrafas PET, trabalhos com pintura em tecido; roupas
de cama e adereços em crochê; bordados com pedrarias;
confecção de brinquedos; encapamento de cadernos em
tecido; origami e caixas de presentes. No total são 274
reeducandas trabalhando em artesanato, além de outras 102
que estão em fase de aprendizagem nos cursos. Mesmo que
ainda não recebam pela produção (com exceção das
instrutoras, que ganham um salário mínimo da FUNAP),
enquanto não houver venda dos produtos, as detentas se
declaram satisfeitas em trabalhar. “Enquanto permaneço
aqui eu estou aprendendo, além do que trabalhar faz bem
para meu ego”, declara uma interna.
“Outra vantagem para as presas artesãs é que a cada três
dias trabalhados, um é reduzido do total da pena, conforme
determina a Lei, além disso elas saem em liberdade com uma
profissão e, com isso, têm oportunidade de reinserção na
sociedade de cabeça erguida”, finaliza Cataldo.
Serviço:
Loja “Do lado de lá”, que comercializa produtos
confeccionados por reeducandos em penitenciárias de todo o
Estado.
Endereço: Rua Dr. Vila
Nova, nº 268, em Vila Buarque, na capital, das 9h às 17h,
Telefone (11) 3150-1087.